Chego tarde da noite em casa, vou caminhando pela sala e sento numa poltrona e ligo a tevê. Vou passando os canais, sempre a mesma coisa, violência, corrupção, conflitos e muita idiotice, coisas que só aumentam meu ódio pela sociedade.
Desligo a tevê e sento o ódio começar a gastar minha garganta, desgastando toda minha esperança. Pego a carteira de cigarros do meu paletó preto e acendo um, depois de uma tragada me acalmo e riu ironicamente. Penso como a maioria da humanidade é estúpida e como gosta de complicar tudo. Culpa Deus, a natureza, e qualquer outra coisa pelos problemas que ela mesma causou. Pergunto-me até quando essa hipocrisia vai durar, quando vão abrir os olhos e mudar alguma coisa. Não importa o quanto eu fale, ninguém quer me escutar. Preferem ouvir sobre as roupas da moda. Vivemos uma política de pão e circo e ninguém faz nada.
Sonho com o dia que o mundo vai se transformar, enquanto isso eu vivo angustiado com a situação em que o mundo se encontra. Levando-me, apago o cigarro no cinzeiro e vou andando para meu quarto e paro na porta e vejo formas embaixo do lençol, belas formas do corpo de uma mulher. O tecido modela o seu corpo nu em baixo dos lençóis.
Ela acorda e olha para mim, parado ali, imóvel e sorri para mim. Um belo sorriso que me ilumina por dentro, ela é minha razão para acreditar em um mundo melhor, pura e bela como sempre foi. Sorriu para ela, caminho até a cama e me deito ao seu lado. Abraço-a e percebo que tudo meu mundo faz sentido bem ali, ao lado dela é só dela.

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