Ando pelas ruas, solitário, pensando na possibilidade de lhe encontrar em alguma delas por um acaso, ou pela ironia do destino. Sinto-me um cadáver ambulante, sei nenhum plano futuro, sem caminho, apenas ando sem direção para o nada.
Não deveria ter deixado você ir sem mais nem menos. Eu poderia te impedido, corrido atrás de você, não importava as consequências. O que importava era você está aqui. Agora você se foi e eu estou mais uma vez sozinho, quando vou dormir e deito na cama vazia e fria... Cheiro os lençóis, mas eles já não têm mais teu cheiro, não têm mais cheiro algum.
Passo pelo parque onde costumávamos nós encontrarmos, pela arvore onde nossos nomes estão gravados para sempre. Sento no banco e fico na esperança de você passar, sei que não mudaria nada. Mas vê que você está bem já me deixaria bem, saber que está melhor sem mim, assim eu saberia que você não se arrependeu de nada.
Volto para casa e encontro você sentada em meu sofá, levanta a cabeça e me ver. Você tinha lagrimas nos olhos e um sorriso sem graça nos lábios, correu em minha direção e me deu uma bofetada no rosto, fiquei atônito, mas logo em seguida você me abraça com força, pergunta-me com eu poderia pensar que você não ia voltar. Beija-me e diz que agora vai ficar tudo bem. Acordo do meu devaneio e percebo que nada mudou.

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